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“Crise, economia e poder paralelo: por que o Rio virou símbolo da violência desenfreada”

Dos estaleiros fechados nos anos 80 ao domínio de facções, passando por governos fragilizados e escândalos de corrupção, o Rio de Janeiro vive uma conjunção de fatores que explicam por que a violência alcançou repercussão mundial.

29/10/2025
em Destaque
“Crise, economia e poder paralelo: por que o Rio virou símbolo da violência desenfreada”

EDITORIAL POR UM CARIOCA*

O Rio de Janeiro, cidade-símbolo do Brasil para o mundo, vive também como símbolo de uma crise que ultrapassa a esfera urbana. Confrontos armados, favelas sitiadas, operações policiais que viram manchetes internacionais: todos esses elementos compõem o que virou uma “comoção mundial” em torno da violência. Mas o que trouxe o Rio a esse patamar? A resposta não está apenas no presente: ela se construiu ao longo de décadas — com desindustrialização, abandono social, corrupção política e falta de presença estatal — e se expressa hoje em índices e dinâmicas próprias.

1. A virada econômica: da indústria naval ao desemprego estruturado

Na década de 1980, o fechamento gradual de estaleiros e a crise da indústria naval no estado do Rio de Janeiro marcou uma virada. Milhares de empregos diretos e indiretos foram perdidos, especialmente em regiões como a Baixada Fluminense e áreas periféricas do Grande Rio. A falta de alternativas formais e o enfraquecimento do setor industrial deixaram lacunas econômicas que nem o setor de serviços ou informal conseguiu absorver totalmente.
Esse processo contribuiu para que, em algumas comunidades, o comércio informal ou atividades ilícitas ganhassem espaço como alternativa de sobrevivência.

2. Crescimento do poder paralelo e a militarização da cidade

 

Com o Estado menos presente em muitas favelas, organizações criminosas consolidaram presença. O tráfico de drogas, o domínio territorial pelas facções e, mais recentemente, pelas milícias, tornaram-se parte da paisagem institucional: o poder público enfrentando um adversário que se comporta como governo paralelo.
Operações policiais pesadas, tiroteios constantes e áreas onde a “lei do Estado” convive (ou é subjugada) com a “lei do crime” passam a compor o cotidiano, repercutindo além-fronteiras e gerando comoção.

3. Corrupção, fragilidade governamental e erosão institucional

Nos últimos 20 anos, o governo do estado do Rio de Janeiro enfrentou sucessivos escândalos de corrupção, afastamentos de governadores, fraqueza institucional e fragilidade fiscal. Com isso, a capacidade de políticas públicas de longo prazo (educação, saúde, segurança, infraestrutura) foi prejudicada.
Essa erosão institucional agrava os efeitos da crise econômica e potencia a violência — porque o Estado falha em responder com eficácia ao abandono social, ao desemprego, à falta de infraestrutura e à ação do crime organizado.

4. Panorama atual: estatísticas que surpreendem (e que alertam)

Apesar de algumas reduções recentes nos indicadores de letalidade violenta, o cenário ainda apresenta elementos de alerta — sobretudo no que diz respeito à violência de gênero e ao crescimento de homicídios de mulheres.

* Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio, entre janeiro e setembro de 2024 foram **2.804 mortes por letalidade violenta** (que inclui homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes por intervenção de agente do Estado) — uma redução de 15% em relação ao mesmo período de 2023. ([Governo do Rio de Janeiro][1])
* No acumulado dos cinco primeiros meses de 2024, o indicador registrou **1.601 mortes**, contra **2.023 no mesmo período de 2023**, ou seja, queda de 21%. ([Governo do Rio de Janeiro][2])
* Em fevereiro de 2024, o primeiro bimestre mostrou uma redução de 21% na letalidade violenta, com 304 mortes em 2024 contra 411 em 2023. ([Governo do Rio de Janeiro][3])
* No entanto, a violência contra mulheres acende o alerta: em 2024 o estado registrou **107 feminicídios**, contra 99 em 2023 — aumento de 8%. Esse número representa **7,2% dos feminicídios nacionais**. ([O Dia][4])
* Ainda segundo esse recorte, em 2024 foram contabilizadas **4.696 tentativas de homicídio de mulheres** no estado, ante 3.742 em 2023 — crescimento de 25,4%. ([O Dia][4])
* Nos registros nacionais, o Atlas da Violência revelou que o Rio apresenta um dos maiores crescimentos de homicídios contra mulheres do país: em 2023 foram 334 casos, alta de ~32% sobre o ano anterior, e cerca de **61% das vítimas eram negras**. ([O Globo][5])

Esses dados mostram uma contradição: embora exista queda expressiva em indicadores amplos de mortes violentas, há áreas — como a violência de gênero — onde o crescimento é evidente. Além disso, a sensação geral de insegurança permanece elevada, o que afeta a imagem do Rio no mundo.

5. Por que isso alcança repercussão global?

Vários fatores contribuem para que a violência no Rio não seja apenas um problema local, mas um tema com impacto mundial:

* A visibilidade turística internacional da cidade. Quando favelas, tiroteios ou operações policiais entram na mídia estrangeira, a narrativa global se monta em torno da “cidade perigosa”.
* Grandes eventos internacionais (Copa, Olimpíadas, etc.) trouxeram foco externo para o Rio, aumentando a atenção sobre seus problemas de segurança.
* O entrelaçamento da violência urbana com o crime organizado transnacional — tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro — projeta o cenário local para além das fronteiras.
* O contraste simbólico: uma cidade de cartão-postal, que seduz pelo turismo e pelo glamour, e ao mesmo tempo palco de disparos, mortes e violência crônica. Essa dualidade incendeia a cobertura internacional.

6. O que dizem os especialistas — e quais os caminhos possíveis

Especialistas em segurança pública apontam vários fatores centrais para explicar o quadro:

* Falta de emprego formal e oportunidades nas regiões periféricas, que gera vulnerabilidade ao recrutamento por facções.
* Presença estatal fraca: educação, saúde, transporte ou segurança de qualidade não chegam de forma sistemática a muitas comunidades.
* Políticas de segurança reativas e centradas no confronto armado, com baixa atenção à prevenção, ao policiamento comunitário e à inclusão social.
* Corrupção e desvios que drenam recursos públicos que poderiam reforçar o bem-estar e a infraestrutura.
* Violência de gênero, racismo estrutural e ausência de proteção para grupos vulneráveis, que agravam os índices específicos (como feminicídios).

Como caminhos, destacam-se: investimento em educação de base, integração de políticas sociais com segurança pública, fortalecimento institucional, reforma policial orientada por direitos humanos e transparência na gestão pública.

Conclusão

A violência desenfreada que gera comoção mundial no Rio de Janeiro é menos “um surto repentino” e mais “o acúmulo de décadas de desindustrialização, exclusão social, fragmentação institucional e domínio do crime organizado”.
Os números recentes mostram progresso em alguns indicadores — o que é positivo e não pode ser ignorado —, mas também revelam que o desafio permanece imenso, sobretudo nas frentes de violência contra mulheres, racismo, e governança pública.
Para que o Rio recupere não só a segurança, mas também a autoestima institucional — e para que o mundo o veja além dos tiros e das favelas —, será necessário não apenas “conter” a violência, mas transformar as condições estruturais que a alimentam, para que possamos um dia voltar a ser uma Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil.

 

*Humberto Donato 

Carioca da gema, Jornalista, Publicitário, Editor de conteúdos eletrônicos e morador há 15 anos no ES. 

 

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Tel.: (27) 99285 6505

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